Cinema em tranches "Flow"
Fiquei curioso com o vencedor do ultimo Óscar para melhor filme de animação, "Flow", um titulo de 2024 realizado na Letónia por Gints Zilbalodis.

Custou perto de quatro milhões de dólares, o que é bastante reduzido comparativamente a concorrentes de peso da Disney ou Pixar, e não têm presença humana, ou mesmo diálogos entre os protagonistas animais. Ao longo do filme conseguimos perceber o efeito do Homem nas construções e na arte presente, mas apenas sobreviveram animais, uma espécie de Arca de Noé minimalista.
Claro que um dos dos motivos para ter visto o filme foi a presença de um gato (gata, ou não-binário, não sabemos) preto como figura central do enredo, seria um possível narrador se existissem diálogos, mas notámos que a acção segue sempre o caminho do gato. Independente, está habituado a viver sozinho e a depender só de si, mas tudo vai mudar com a inundação. Já teve direito a estátua na cidade de Riga!

Depois temos o lémure, sempre preocupado com a opinião dos outros e com a sua aparência, necessita da aprovação e da companhia dos seus, e muito apegado aos bens materiais. Faz lembrar alguém?
A capivara é o símbolo do fatalismo, não questiona nem tenta mudar o rumo dos acontecimentos, só quer paz e tranquilidade, mas em alguns momentos abandona a letargia habitual, e tenta influenciar e ajudar outros animais perdidos.
O cão, o melhor amigo do Homem, mas num filme sem presença humana, o cão mantém a mesma lealdade e amizade com os restantes elementos do grupo. Mesmo quando não são da sua raça, ou seus amigos.
Finalmente a ave secretário ou serpentário, um papel de força, da luta do bem contra o mal, sempre tão actual no mundo em que vivemos, aquele que não tem medo de ir contra tudo e todos só porque acredita no que defende, e está disposto a perder tudo por isso. O líder natural da Arca.
Gostei muito do filme, podemos analisar o mesmo como um filme sobre sobrevivência num cenário adverso, uma rábula ou metáfora sobre o Homem e os diversos tipo de comportamentos, tão bem exemplificados por aqueles animais. Ou então desligar o cérebro e apenas apreciar o estilo da animação, a riqueza da banda sonora e dos sons praticados pelos protagonistas, e todo o trajecto do arca até um final aberto. O importante é o caminho, não o fim!
P.S Para quem tem gatos pretos existem algumas secções do filme que podem ser um pouco angustiantes, depois vão compreender! Mas é só um filme! Vai correr tudo bem!
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