A crise no Benfica - parte 2
Vamos agora iniciar a segunda parte deste post...entretanto Jorge Jesus já saiu do Benfica, Nelson Veríssimo é o treinador-interino, e já tivemos mais um clássico Porto-Benfica (terminou com o resultado de 3-1)! Mas vamos por partes!

Em 2022 vamos ter de recuar ao período pré-pandemia para começar a analisar as razões da actual crise no futebol do Benfica.
- Vieira e as eleições no Benfica: Depois do campeonato perdido no período pós-Lage, Luís Filipe Vieira iria enfrentar possivelmente as eleições mais difíceis desde que chegou ao Benfica. Ao mesmo tempo, cada vez mais "apertado" por investigações no seu percurso com a justiça, decide implementar uma política de contratações agressiva, com muitos nomes para "encher" capas de jornais e propaganda, e contratar um nome sonante, Jorge Jesus, recentemente vencedor da Taça dos Libertadores. Começou o projecto "LFV 2020-2021".
- Sistema táctico: Descobri recentemente que os treinadores dos escalões de formação no Benfica são "obrigados" a jogar em 4-3-3. Ora Jesus ao chegar ao Benfica claramente tentou implementar um sistema de 4-4-2, apenas formatado para o 3-4-3 com a chegada de Lucas Veríssimo já no mercado de Inverno de 2021. Estas alterações no sistema de jogo estão directamente relacionadas com a razão seguinte, a construção do plantel.
- Plantel e contratações: Com a venda "obrigatória" de Rúben Dias para mitigar o efeito "PAOK", o Benfica montou uma defesa experiente, mas algo lenta. Otamendi e Vertonghen têm a qualidade e a experiência necessária, mas não a velocidade de outros tempos. Com laterais ofensivos como Grimaldo e Diogo Gonçalves, e sem um "trinco" de origem para fazer as compensações, Jesus montou um sistema com três centrais, mas ainda com um plantel extenso e dispendioso formatado para o 4-4-2. Excesso de médios centro, médios-interiores e avançados, mas sem uma alternativa credível para a lateral esquerda, sem médios-defensivos e sem extremos puros. O Benfica hoje consegue a proeza de ter excesso de jogadores mas défice de opções. Fantástico!
- Gestão desportiva: Rui Pedro Braz chegou ao Benfica em 2021 ainda no período Vieira para desempenhar a função de director geral para o futebol. Sabendo que muitas vezes os directores aportam um trabalho invisível, difícil de avaliar e quantificar, acredito que neste momento não existe um plano claro sobre o caminho a tomar para o futebol, e que funções cada elemento da gestão desportiva têm em mãos. Existe Rui Costa, presidente do clube mas claramente interventivo no futebol profissional. Depois temos o Rui Pedro Braz, que desconfio que possua a pasta das contratações e dispensas. Existia um Jorge Jesus que exigia ter um papel activo na gestão do plantel. E finalmente ainda temos Luisão, que tenta ser uma voz de comando e liderança no balneário, com as consequências e discussões que temos assistido entre staff e atletas. Na minha opinião existe aqui claramente um excesso de egos para "mandar" no futebol, e muitas ligações ao passado recente com Luís Filipe Vieira.
- Missão: Todos os motivos anteriores são pertinentes para explicar esta crise no Benfica, mas este ultimo ponto poderia amenizar a situação, se tivesse sido planeado de forma diferente. Já tivemos uma política de contratações baseada em jogadores internacionais, durante o primeiro ciclo de Jorge Jesus (2009/2010), depois uma inflexão para uma política de aproveitamento na formação, com Rui Vitória e Bruno Lage, e finalmente voltámos ao ciclo inicial, novamente com Jorge Jesus e os resultados conhecidos. O que mudou? Basta observar as ultimas épocas do Sporting com Rúben Amorim. A missão do Benfica no futuro terá de passar por uma viragem para dentro, apostar na formação, sem duvida, mas ao mesmo tempo contratar jogadores de qualidade no estrangeiro, com experiência, mas não acomodados. Esta é a missão de Rui Costa e dos seus pares para a próxima época, "emagrecer" um plantel pouco optimizado para os novos sistemas tácticos, reactivar o Seixal, e contratar jogadores com qualidade, mas com a tal "fome" de ganhar que Rúben Amorim tão bem descreveu, algo que o plantel de JJ tinha em 2009/2010, e que não revejo na grande maioria dos jogadores consagrados do plantel actual.
Já entrámos em Janeiro, o mercado de Inverno já está disponível, vem aí uma Taça da Liga, a pressão para vencer o campeonato desceu consideravelmente face à distância pontual, factor que deve ser aproveitado por Veríssimo para melhorar a confiança da equipa, e tal como numa corrida de Fórmula Um, recuperar posições de trás para a frente. Ah e vamos ter Champions!
Num post futuro vou analisar o mercado de Inverno do Benfica, sugerir algumas alterações, e que equipa/treinador poderemos ter já na próxima época.
Bom Ano para todos, e bons jogos!
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