Show me the money!
A polémica renovação do jogador Otávio e o "nebuloso" relatório de contas do Futebol Clube do Porto fez-me recuar ao saudoso ano de 1996, e ao grande filme "Jerry Maguire", onde Cuba Gooding Jr. pede ao empresário Tom Cruise para, traduzindo à letra, "mostrar onde está o dinheiro"! E pela imagem, o Otávio também não sabe!

Aqui não há inocentes. Existe uma clara tentativa de "disfarçar" o acordo de renovação do jogador luso-brasileiro, de "maquilhar" a massa salarial do clube, e de fugir ao crivo do "fair play" financeiro.
Os adeptos do clube estão preocupados? Penso que não, o Otávio é um grande jogador, poderá ainda jogar mais umas épocas no nosso campeonato, e quem não está preocupado com um passivo de 526 milhões, e cujo presidente aufere um salário de 1 milhão de euros/ano, também não irá passar noites em branco com a renovação do médio portista.
Quem não ficou bem na fotografia foi o empresário do jogador, Israel Oliveira, que por um lado afirma a pés juntos que o Otávio não recebeu 1 euro de prémio de assinatura (não está a mentir, acredito que tenha recebido bem mais que 1 euro) mas que por outro lado já tinha colocado o clube em tribunal por uma valor de 615 mil euros...relacionado com a renovação do Otávio.
A minha opinião? Otávio tinha propostas para sair a custo zero, e a única forma de Pinto da Costa segurar o jogador seria aumentar o vencimento do jogador para o tecto salarial do clube, e um "prémio" de compensação para cada época que fique no Porto. Ou seja, por cada ano de contrato, o jogador receberá cerca de 4 milhões de prémio. Se completar as quatro épocas, são 16 milhões em prémios. Se o Otávio sair já em 2022, o Porto poupa cerca de 12 milhões.
Cenário alternativo: a totalidade dos 16 milhões são em salários, 4 milhões brutos época, cerca de 330 mil euros mês, Otávio estaria a ganhar 125 mil euros brutos até 2021, iria passar a ganhar o dobro, 250 mil euros, daí não acreditar muito na versão do empresário (em qualquer delas). Este cenário alternativo também seria muito interessante para a Autoridade Tributária, porque qualquer assalariado desconta muito mais sobre o vencimento do que sobre prémios, e a ATA pode nicar aqui um processo de investigação sobre fuga ao fisco.
Finalmente, para "apimentar" ainda mais este cenário, o Futebol Clube do Porto não tem a totalidade do passe do jogador luso-brasileiro. Em 2018 a SAD portista gastou 2,2 milhões de euros por 15% do passe, totalizando neste momento 67,5%. Seria assim um negócio tão vantajoso segurar o jogador?
Resumindo, uma "trapalhada" de todo o tamanho, que merecia no mínimo um comunicado da SAD a explicar estas movimentações, e algumas perguntas da CMVM. E nem vou falar dos negócios com o Vitória de Guimarães! Show me the money...
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