Hércules e o Benfica
No seguimento do post anterior, vou tentar analisar as tarefas hercúleas do Benfica neste mercado 2021/2022...quando faltam cerca de 30 dias para a terceira pré-eliminatória da Champions.

O mercado continua muito tristonho e apático em época de pandemia. Neste momento é fácil observar que o Benfica não vai entrar nas loucuras da época passada, de comprar em ano de recessão, para aproveitar as dificuldades económicas dos clubes. Os próprios clubes portugueses atravessam crises de liquidez, e só irão ao mercado quando conseguirem vender activos. O CEO do Benfica já assumiu que nova saída prematura da Champions poderá obrigar redução da folha salarial do clube.
A principal tarefa do Benfica é reduzir os excedentários do plantel, de forma a libertar espaço nas opções de Jorge Jesus, mas ainda mais importante, libertar massa salarial para possibilitar o ataque ao mercado. Até jogadores importantes como Weigl poderão sair, se existirem boas propostas, com esse intuito, já que o alemão é dos mais bem pagos do plantel.
Só assim podemos justificar que ao dia 01 de Julho, o Benfica "apenas" tenha contratado um avançado (Rodrigo Pinho) a custo zero, e um extremo-ala (Gil Dias) por 1,5 milhão de euros. Estas contratações ainda são mais sintomáticas quando sabemos que a prioridade do Benfica é o reforço do meio-campo, especialmente um trinco e um médio "box-to-box".

Segundo o jornal "O Jogo", o Benfica conta com quarenta e um (41)jogadores no plantel! Já vendeu Pedrinho e dispensou David Tavares. Cervi e Nuno Tavares poderão estar na porta de saída, para reforçar o Celta de Vigo e o Arsenal respectivamente. Poderá ainda chegar mais um guarda-redes, um lateral-esquerdo, dois médios e um extremo.
Em termos de balança comercial, o Benfica já "encaixou" cerca de 18 milhões de euros com Pedrinho, e poderá ainda receber mais 15 milhões com as saídas dos já referidos Cervi e Nuno Tavares, ultrapassando os 30 milhões em receitas. A presença do Benfica na fase de grupos da Champions poderá implicar um valor entre 30 a 50 milhões de euros. Considerando que o Benfica poderá vender mais um ou dois jogadores até Setembro, facilmente poderá ultrapassar os 100 milhões de receitas. Mas ao contrário da época passada, o Benfica não vai exagerar nas contratações, respeitando tectos de valor de aquisição e de ordenados (por exemplo jogadores abaixo dos 10 milhões), e apostar tudo na saída dos excedentários (de preferência em definitivo, ou por empréstimo). Devo dizer que apoio a 100% esta estratégia, que é a mais racional, mas infelizmente a época passada foi marcada por concorridas eleições, que levaram ao investimento exagerado, na minha opinião, claro!
Mas nem tudo são rosas...a outra face da moeda poderá ser dramática, ao adiar as contratações essenciais do meio-campo, como por exemplo Al Musrati do SC Braga, a um mês da eliminatória da Champions, o Benfica poderá estar a hipotecar as hipóteses de ultrapassar os seus adversários e falhar novamente a Champions, e cair numa crise financeira profunda. Este é o caminho estreito que os responsáveis do Benfica terão de percorrer, por um lado não cair em tentação de comprar sem a olhar a preços (o Braga está pedir 20 milhões pelo líbio Al Musrati), mas pelo outro lado compreender que dificilmente o plantel que perdeu a final da Taça de Portugal na época passada conseguirá chegar à fase de grupos da Champions. É por dicotomias como esta que eu adoro esta fase da época, a "silly season", o preço do dinheiro! São tarefas para um Hércules!
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