O meu onze de sempre
Ontem reflecti sobre o meu amor ao futebol...como ex-praticante de basquetebol, o futebol entrou tarde na minha vida, já perto da maioridade. Mas ainda fui a tempo para apreciar estes craques!!!

Claro que já via futebol na televisão, já era adepto do Benfica e acompanhei certos eventos como o Euro-84 ou as finais europeias de Porto e Benfica. Mas não era fã, o meu jogador preferido da altura era o Néné, e muito por culpa daquele golo em 84 face à Roménia. Tudo começou a mudar perto da década de 90, apareceu Carlos Queirós e a sua geração de ouro, bi-campeões do Mundo de juniores, e com nomes que começaram a despontar, como o de Rui Costa. Lembro-me de andar no oitavo ano da escola, e um amigo meu portista comentar "Ah aquele vosso Rui Costa vai ser craque, até parece que tem veludo nos pés!". Só descobri o Rui Costa mais tarde, naquele campeonato nacional de 1994, na sua partida para Itália e no jogo de computador Championship Manager.
Hoje pensei nos jogadores portugueses que mais marcaram a minha juventude, aqueles por quem eu tinha um carinho especial, clubismos à parte, mas especialmente aqueles que vi jogar com atenção. Por isso não irão aparecer aqui nomes incontornáveis do futebol português como Eusébio, Chalana, Gomes, Sousa, Coluna, Rui Barros e afins. Deixo aqui o meu 11 de sempre.
Guarda-redes: Ainda era muito novo quando brilhavam outros nomes, como Bento ou Damas, assim o meu guarda-redes escolhido foi Vítor Baía, quase a sempre a jogar no rival Futebol Clube do Porto, tirando a passagem pelo Barcelona, que aprendi a gostar pela postura e agilidade entre os postes. Existe uma frase épica "O Vítor Baía até a sofrer golos tem estilo". Tudo dito.
Lateral direito: Não vou recuar ao bigode de Veloso ou aos centros-remate de João Pinto...já estavam na curva descendente...o lateral direito que mais gostei foi o Paulo Ferreira, ex-Vitória de Setúbal, ex-Futebol Clube do Porto e Chelsea. Originalmente um médio, José Mourinho teve o mérito de apostar no jovem, e com ele ganhou tudo. Infelizmente as lesões não o deixaram brilhar ainda mais, bem como a concorrência de novos laterais mais altos, mais fortes, mais rápidos, mas para mim será sempre um lateral requintado, que defendia bem, atacava com segurança e que parecia sempre saber a melhor solução para casa lance. Como alternativa, o ex-benfiquista Miguel, ou nos "novos" João Cancelo, Nelson Semedo, ou Ricardo Pereira.
Lateral-esquerdo: Portugal não tem uma grande história de laterais-esquerdos, sempre tivemos jogadores razoáveis/bons nessa posição, mas nenhum espectacular...do que vi melhor nessa posição, tenho de referir o Fábio Coentrão... não é jogador mais consistente de sempre, mas em forma, especialmente no Benfica de Jorge Jesus, foi o que mais gostei. Também ele um médio adaptado a lateral, podia ter a concorrência de Rui Jorge, Nuno Valente ou Dimas.
Central: Fernando Couto...o melhor defesa que vi a limpar bolas pelo ar, uma impulsão fora de série, caracóis ao vento, e uma malícia terrível a defrontar os atacantes...imaginem um Bruno Alves mas com a classe de um Gamarra ou a técnica de um Canavarro...saiu do Futebol Clube do Porto para o Parma da série A, fez escola em Itália com uma passagem pelo Barcelona, terminando a carreira no seu Parma de sempre. Como alternativa, poderia aparecer aqui um Jorge Costa ou um Hélder Cristóvão.
Central: Tal como o colega Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho venceu tudo o que havia para vencer, e em 2004 ganha o lugar na Selecção Nacional ao vetereno colega desta lista, Fernando Couto. Formou uma dupla imbatível com Jorge Costa, e mais tarde com Bruno Alves, todos do Futebol Clube do Porto . Não era muito forte fisicamente, mas tinha posicionamento em campo, antecipação, poder de corte e bom jogo de cabeça. Jogou no Chelsea, Real Madrid e Mónaco.
Médio-defensivo: Esta é fácil...Paulo Sousa, ele que ficou conhecido em Itália como o geómetra ou “regista”...saiu de Portugal numa guerra entre Benfica e Sporting, foi para Turim jogar pela Juventus, ficando logo como um dos preferidos da massa associativa. Lembro-me de andar na escola quando assinou, e um dos prémios de assinatura que ele ganhou foi um Lancia Integrale...a FIAT era uma das patrocinadoras da Juventus. Classe e qualidade em excesso, mas muita fragilidade nas lesões...após vencer a Liga dos Campeões em 1996, é vendido aos alemães do Borussia Dortmund, onde conseguirá ser bi-campeão europeu derrotando na final...a Juventus de um tal Zidane. Como alternativas, poderia colocar Costinha, Paulo Bento, Rui Bento ou Fernado Meira.
Médio-ofensivo: Rui Costa...só o meu jogador preferido de sempre, do qual tenho algumas camisolas míticas...por ser o numero 10, por dar muitas mais assistências do que marcar golos, ele que sempre teve um bom remate, pela forma e a graciosidade como transportava a bola...que não conhecer bem, basta ir ao You Tube, e pesquise as épocas em Itália. E finalmente, porque voltou ao seu clube, ao meu clube, e gastou as ultimas forças a ajudar o Benfica. Episódios existe muitos...desde o penálti decisivo na final do Mundial de juniores em Lisboa, ao chapéu do meio-campo face à Irlanda do Norte, da reviravolta no incrível Portugal-Inglaterra do Euro 2000, ou do golo marcado de raiva contra a mesma Inglaterra. Técnica, visão de jogo, meia-distância...tinha tudo...um dos últimos numero 10 puro a jogar na Europa, como Laudrup, Savicevic, Boban, Hagi ou Riqueleme. Alternativa: dois jogadores que não explodiram, Dani e Hugo Leal, e mais tarde Deco, o seu sucessor.
Médio-direito: Figo...cresceu em Alvalade, com a lei Bosman a chegar, assina por dois clubes (Parma e Juventus) onde fica bloqueado, e acaba por assinar pelo Barcelona...típico extremo-direito, mas que consegue jogar com ambos os pés, e ter combates históricos com o lateral esquerdo madrilista, Roberto Carlos, chega a capitão do Barcelona para depois sair em polémica para o grande rival de Madrid. Velocidade, potência, finta. Figo tinha tudo, menos o jogo de cabeça de Cristiano Ronaldo. Ainda hoje, para mim, um dos três melhores jogadores portugueses de sempre. Alternativas: Sérgio Conceição, Capucho ou Vítor Paneira.
Médio-esquerdo: Paulo Futre...talvez o mais antigo desta equipa, acompanhei mais a época dourada do esquerdino através do You Tube, ainda o vi jogar pela Selecção Portuguesa e pelo Benfica...tinha magia nos pés, hoje seria um Messi ou um Neymar, finta curta e facilidade em marcar golos. Alternativa: Simão Sabrosa
Atacante: João Vieira Pinto: o numero 8, mas que parecia um ponta de lança...dos jogadores mais completos naquela posição, sabia jogar de costas para a baliza, de frente, nas laterais...exímio jogo de cabeça, boa visão de jogo, ou a "cavar" faltas. Assim de repente no passado recente lembro-me de Jonas, brasileiro do Benfica. Episódios memoráveis...o 3-6 em Alvalade, o golo contra a Inglaterra em 2000, e o "murro no estômago" no Mundial de 2002, na Coreia de Sul. Alternativa: Nuno Gomes
Atacante: Cristiano Ronaldo...o melhor jogador português de sempre, talvez o melhor jogador de sempre...poderia jogar no lado direito, a sua origem, mas tinha de tirar o Figo...podia jogar na esquerda, mas tinha que tirar o Futre...acredito que CR7 já treinou mais horas que a soma dos dez restantes deste onze, é o mais novo mas também o mais dedicado e o mais profissional. Remata bem com os dois pés, tem um poder de elevação que permite cabecear melhor que um Jardel ou um Van Basten, sabe passar a bola como o Rui Costa e corre como o Usain Bolt. Alternativa: ainda não existe, é único.
Espero que tenham gostado desta selecção, não quero vaticinar que são os melhores, mas sim os que eu gostei mais. Se quiserem, comentem com o vosso 11 de sempre!
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