Covid-19 e o Estado da Nação

O País e o Mundo vive num sobressalto chamado Covid-19...o que era uma brincadeira "Corona", agora é uma pandemia com efeitos devastadores...mas o pior ainda está para chegar...


 


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No exacto momento em que escrevo estas linhas, o Primeiro-Ministro António Costa prepara-se para falar ao País, e o que está previsto será a declaração de Estado de Emergência para todo o território nacional. A ser decretado o estado de emergência por calamidade, será a primeira vez que isso acontece no Portugal democrático, pós-25 de Abril.


Com esta medida, o Estado pode limitar um dos direitos previstos na Constituição, o da liberdade, impondo assim o isolamento dos cidadão, proibindo deslocações não prioritárias e combatendo de forma efectiva o alastrar da pandemia. Já sabemos também que não existirá recolher obrigatório.


Sou a favor da saúde, sempre defendi que o maior activo de um País são as pessoas, e a saúde publica e os seus trabalhadores têm de ser a principal prioridade das medidas tomadas. Assim, apoio a decisão do Estado de Emergência, porque o Estado de Alerta falhou...mesmo em alerta, os cidadãos portugueses continuaram a fazer a sua vida normal, não respeitando a 100% a necessidade de isolamento pro-activo, e foram para a praia/shoppings e bares nocturnos.Acredito que quinze dias de medidas fortes poderão ser mais eficazes que dois meses de medidas brandas...e não sou especialista de doenças infecto-contagiosas como os meus 600 amigos nas redes sociais.


É muito importante encontrar o ponto de equilíbrio, separar o que são "serviços essenciais" do que é secundário...existem bens e serviços que não poderão faltar (alimentação, combustíveis, medicamentos) e evitar deslocações/contactos desnecessários para os restantes serviços. 


 


Mas infelizmente o pior ainda está para vir...durante os próximos meses vamos combater este "inimigo invisível", dentro ou fora de casa, em prevenção ou a trabalhar, com todas as medidas de higiene e de segurança, porque o País não pode parar. E para os que não forem contaminados, vamos ter de "levantar" o País, evitar uma recessão provável, evitar uma inflação de preços aos produtos essenciais, o racionamento de produtos, as falência de empresas, e o aumento do despedimentos.


 


Coloco aqui abaixo um excerto de opinião de Ricardo Martins Pereira sobre a gravidade de uma crise económica criada pelo Covid-19...aliás o próprio Primeiro-Ministro já mencionou a possibilidade de efectuar requisição civil caso os trabalhadores em áreas essenciais recusem-se a trabalhar...e a necessidade de continuar a produzir riqueza não pode parar.


"Os que gritam “feche-se tudo” são os mesmos que no fim do mês exigem receber o salário na íntegra?"


"É por demais evidente que a consequência de paralisar um país por tempo indeterminado é a falência global da Economia, sobretudo uma economia como a nossa, assente ainda numa cultura de funcionalismo público mas cada vez mais com um tecido empresarial que é movido pelas micro, pequenas e médias empresas. E se os negócios destas empresas pararem de todo, como é que as mesmas terão capacidade de pagar os salários dos seus funcionários? Quantos milhares de pessoas vivem dos seus pequenos negócios, lojas, cafés, restaurantes, serviços, muitas delas em shoppings, em locais que deixaram de ter pessoas? Pessoas estas que dependem unicamente do que vendem ao público não só para sobreviver como para pagar os salários aos trabalhadores que dele dependem.


É muito fácil gritar já “feche-se tudo” e chamar gananciosos aos que insistem em manter os seus espaços abertos, ainda que limitando ao máximo os riscos para a saúde dos clientes. Só que ao fazerem isto os pequenos proprietários podem não estar a ser gananciosos, pelo contrário, podem estar unicamente a pensar em tentar conseguir facturar alguma coisa para, no fim do mês, conseguirem pagar os salários."


 


Resumindo, acredito piamente que a nossa saúde, dos nossos familiares e amigos está em primeiro lugar, com responsabilidade e segurança...defendo a solução de Estado de Emergência, como "medida de força" para colmatar a pandemia...mas não entro em facilitismos, em dramatismos face ao trabalho, acredito que é preciso trabalhar em segurança até informação em contrário, e que depois da tempestade, não vamos ter bonança...vamos passar por períodos muito atribulados, em que vamos precisar de todos para recuperar um País debilitado.


 

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