Livros em tranches "As areias do imperador"
Terminei este mês a trilogia literária do escritor moçambicano Mia Couto, confesso que não conhecia esta faceta da História de Portugal, e achei muito interessante o tema, e com muito potencial para o audiovisual.

O escritor iniciou este projecto em 2015, terminando em 2018, e relata de uma forma quase poética o período histórico do final do século XIX, quando Portugal detinha as colónias de Angola e Moçambique, após o ultimato do mapa cor-de-rosa, e a necessidade de provar aos ingleses que realmente dominavam aquela parte de África.
Os livros acabam por apresentar duas facetas distintas, dois pontos de vista diferentes, o lado dos colonizadores, muitas vezes descritos através de cartas trocadas entre os oficiais, e o lado dos colonizados, do povo moçambicano, preso no meio de uma guerra que não era a deles, que viviam com muitas dificuldades e eram muitos pobres, mas muito ricos culturalmente, cheios de tradições e fábulas africanas. Porque cada história tem sempre dois lados, a dos vencedores, mas também a dos vencidos, que por vezes acaba por ficar esquecida.
Assim, a descrição e a narração vai saltando entre o modo de vida dos nativos, as suas diferenças entre as tribos, as quezílias com o povo invasor, os "zulu" do reino de Gaza e o seu líder, Gugunhana, e as dificuldades do reino colonizador, Portugal, uma nação longe do poder que teve nos séculos anteriores, que lutava para ocupar os locais mais interiores de Moçambique, e que estava dividido entre os monárquicos e os novos republicanos.
O livro "As Mulheres de Cinza" é uma introdução às personagens, começamos a compreender as motivações e o passado de Imani e do sargento Germano, e as diferentes facções que lutavam em Moçambique. Já o "A Espada e a Azagaia" descreve a componente bélica do país, as armas da época e o lado português, como por exemplo o líder Mouzinho da Silveira. Finalmente, o "O Bebedor de Horizontes" foca mais na viagem e deportação do imperador Gugunhana, e a reacção da metrópole à sua chegada.
“No fundo, apesar de estar escrita aqui uma história de guerra, esta é uma história de amor”...são palavras do autor, os três livros acabam por resumir uma guerra histórica, mas sempre "presa" na trama do amor entre Imani e Germano...não são livros felizes, não são para rir, são até algo tristes, mas são de uma leitura interessante e rápida, que prende o leitor até ao fim.
Já existem planos para descrever este período histórico na televisão, especialmente o desterro de Gugunhana nos Açores, para quem quiser mais informações, basta clicar no link abaixo:
Para terminar, tive oportunidade de descobrir estes livros graças ao retorno de um hábito antigo, cada vez mais em desuso: as visitas às nossas bibliotecas municipais. Cá por casa estamos fãs , a consultar e a requisitar livros na biblioteca, neste momento estou a começar a ler outra obra de Murakimi "A Rapariga que Inventou um Sonho", autor que muito recomendo. Portanto não há desculpas de falta de dinheiro ou espaço, só não lê quem não quer!!!
Comentários
Enviar um comentário