O clássico a frio...Benfica-Porto
Ainda em modo ressaca, e depois de ler alguns artigos de opinião escritos por pessoas que percebem muito mais de futebol do que eu, deixo aqui a minha tentativa de explicação do primeiro clássico do campeonato 2019-2020!

- A antevisão do clássico
Já sou benfiquista há mais de 40 anos, e senti algum optimismo exacerbado por parte dos adeptos encarnados...a ultima vez que senti tal confiança foi na malograda Supertaça de 2011, que o Futebol Clube do Porto de André Villas Boas venceu curiosamente também por 2-0, e de forma categórica o Benfica de Jorge Jesus, que entrou em campo em modo campeão, e saiu vergado pela força do rival. Se não posso acusar o treinador ou os jogadores de alguma soberba ou desprezo pelos rivais, posso pelo menos notar que a comunicação social apresentou sempre o clássico como um "David contra Golias", os comentadores ligados ao Benfica sempre apostaram num resultado desnivelado para os encarnados, e o próprio clube preparou uma festa com fogo e foguetes quando ainda não vencemos nada. Na minha opinião, parte da derrota começou aqui.
2. A lição táctica de Sérgio Conceição e o pulmão portista
No dia anterior ao jogo tinha lido uma análise à forma de o Benfica atacar, e sobre o 4-4-2 assimétrico de Bruno Lage, e as formas de o parar...o treinador portista também deve ter treinado o mesmo cenário, e de uma forma brilhante, os seus jogadores conseguiram o colocar em prática, por um lado fechando os espaços à construção de jogo, pressionando com os 2 avançados e o "joker" Romário Baró o recuado Florentino, e a sua 1º linha de passe Samaris. Com isto obrigava o Benfica a rodar o jogo por dentro através do seus centrais, até chegar a Grimaldo, mas graças a um pulmão generoso, e uma cultura táctica maior, quer Baró quer o esforçado Diaz conseguiam fechar o passe interior, para Rafa ou Pizzi, preferindo deixar espaço livre para Tavares e Grimaldo, com os resultados conhecidos. Raul de Tomás sem espaço e rotinas para jogar como 2º avançado, e Rafa sempre que recebia a bola entrelinhas, tinha inferioridade numérica perante Pepe, Uribe e Danilo, que venceram a maioria dos duelos, e recorreram à falta útil sempre que necessário. Mais uma vez, na minha opinião, parte de derrota pode ser explicada com superioridade táctica e física do Futebol Clube do Porto durante 90 minutos.
3. Falta de inspiração e transpiração do lado benfiquista
Finalmente, o factor mais preocupante para mim, como benfiquista. Aceito que o Benfica tenha entrado algo acomodado perante o jogo, já que meio mundo o colocava como favorito. Até aceito que o Sérgio Conceição tenha planeado o seu jogo face ao poderio do Benfica, algo pouco vulgar entre clássicos, e optado por defender bem e jogar em transições. Até posso conceder a questão física, essa abundância sofre timings, e neste momento a equipa portista pode apresentar mais disponibilidade física, e quebrar com o decorrer das jornadas. O que não consigo compreender é a falta de capacidade individual de certos jogadores, que ontem não pareciam os mesmos. Eu sei que uma equipa joga o que a outra concede, mas Grimaldo parecia não saber driblar e ultrapassar o meio-campo, Ferro esteve irreconhecível, parecia um King da década de 90, Tavares parecia um júnior a treinar com os seniores, Florentino falhou vários passes e não acertava o timing de desarme, a sua melhor arma. Samaris está em baixo de forma, e não é o Gabriel para poder bascular o jogo com passes longos, Pizzi sem Rafa fica sem 50% de possibilidades de passe, Rafa foi apanhado na teia, mas bem tentou correr. E os avançados? Seferovic precisa de profundidade e que a equipa domine o meio-campo para ter bola, e RDT continua a parecer uma peça fora do puzzle...é craque, mas ainda não provou na Luz.
Crise? Problemas de liderança? Faltam jogadores? Claro que não!!! Como tudo no futebol nacional, não há bom senso nas análises, e partimos sempre do oito para o oitenta...acredito que por cada dez jogos entre Benfica e Porto, que os encarnados venceriam sempre mais vezes...não foi um clássico bem jogado, como por exemplo a meia-final da Taça da Liga da época anterior, não subscrevo palavras como "banho", "festival" e "massacre" para um jogo assim, o Benfica rematou pouco e não teve oportunidades, por tudo o que já escrevi aqui, mas o Porto teve 4 remates e 2 golos, com 2 belas defesas de Odysseas a tentativas de Zé Luis e Diaz. Já vi o Benfica a rematar mais de uma dezena de vezes na Luz, e o Casillas a defender tudo, e ninguém falou em "banho". Este jogo foi mais parecido com o clássico da época passada no Dragão.
Resumindo, uma vitória justa do Futebol Clube do Porto, mais forte tacticamente e animicamente que o Benfica, mas não vi um "Super Porto" na Luz nem vi um "Benfica morto" em casa...os encarnados vão ter possibilidade de mudar já na próxima jornada face ao Braga, e provar que a desinspiração de ontem foi apenas um acidente de percurso.
Cá estaremos depois para fazer as contas!!!
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