O "alegado" lamaçal
Mais uma vez o desporto-rei luta para sair de um buraco que cada vez parece mais fundo...depois do "Apito Dourado", do caso dos emails, do caso "e-toupeira", da compra e venda de jogos, do "Cashball", ontem tivemos mais um caso para as páginas douradas do futebol nacional, e do jornalismo desportivo português. Mas só "alegadamente"
Estamos na época do "alegado"...um tempo de comunicação exacerbada, vários canais televisivos informativos com muitas horas de análise desportiva, as redes sociais sempre activas, onde a busca pela "ultima bomba" valerá sempre aquele precioso "click", aquele "bitsound" que vai rodar nas próximas semanas. Tudo é válido, desde que seja antecipado por um "alegado". O resto fica no lamaçal!
Não vi a entrevista da SIC sobre a "alegada" tentativa de suborno a jogadores do Marítimo em 2016, "alegadamente" por um empresário ligado ao Benfica, César Boaventura, mas o que li sobre ela já deu para ter uma ideia do tamanho do lamaçal.
O futebol português não é inocente, todos nós já ouvimos relatos ou lendas urbanas sobre corrupção neste desporto, especialmente nas ligas semi-amadoras/amadoras...não podemos ser "anjinhos", e colocar a mão no fogo por todos os indivíduos que gravitam à volta do futebol, mas para além da inevitável presunção de inocência, ainda precisámos de responsabilidade e isenção dos agentes jornalísticos. E estes últimos pressupostos não estão a ser cumpridos, para mal do nosso futebol.
Acredito que existe corrupção no futebol nacional, mas não é a corrupção que chega às bancas dos jornais...nunca será resultante de denuncias anónimas, nem de escutas ou emails...tal como em diferentes áreas da nossa sociedade, muitas noticias colocadas a publico apenas mostram a ponta do iceberg, e por vezes nem está lá o iceberg, mas ajudou a desviar as atenções de outros "Titanic" que estivessem a afundar aos poucos.
Assim fiquei sem palavras quando vi ontem o programa "Mais Transferências" na TVI 24, e na análise ao caso "Boaventura", o jornalista Manuel Queirós achou o jogo entre o Marítimo e o Benfica "estranho", por o Benfica ter vencido com um jogador a menos, por ter jogado com menos avançados, e por achar que o Marítimo não jogou tudo o que podia e sabia. E estas afirmações foram lançadas sem a palavra obrigatória "alegadamente".
Tal "estranheza" foi combatida pelos comentadores do programa, que referiram a utilização de Djoussé e Dyego Sousa, e a qualidade da equipa montada por um treinador insuspeito, o professor Nelo Vingada. "Alegadamente" teriam pago 40 mil euros a jogadores, como por exemplo Patrick, que neste momento é jogador do Benfica, ou Salin, actualmente jogador do Sporting.
Espero que a Justiça portuguesa seja diferente nestes casos, e que portanto seja célere, justa e cega...mas penso que os nossos jornalistas precisam de tomar um banho de isenção, de ser mais profissionais, e de não lançar afirmações que colocam em causa pessoas do nosso futebol, como o professor Nelo Vingada.
Jogos estranhos tivemos a época toda, e não vi os "arautos" desta vida como o Manuel Queirós a "estranhar"...como por exemplo o Futebol Clube do Porto-Tondela (lance "estranho" de Sulley). Ou jogos com bancadas a cair.
Ou então o 2.º golo do Futebol Clube do Porto frente ao Boavista, também na época 2017/2018, após um erro "estranho" de Wagner.
Já que a SIC está a acompanhar a RTP Memória, também poderia "estudar" o "alegado" erro do médio Luiz Carlos, que passou a bola para James Rodriguez, e obrigou o Paços a jogar com 10, e sofrer um penalty.
"O Paços de Ferreira, mesmo em inferioridade numérica, após a expulsão de Ricardo (tocou em James, que se isolava, após um mau passe de Luiz Carlos), nunca deixou de "espreitar" o ataque e ainda conseguiu incomodar Helton, sobretudo na etapa complementar." relato TSF
Para terminar, neste momento o futebol português está num lamaçal, e as lutas externas entre os três grandes estão a arrastar clubes, dirigentes e jogadores para um buraco que irá demorar décadas a curar. Espero que todas as partes tenham essa noção, que corrigam o seu caminho, e que a classe jornalistica actue de forma isenta e cabal.
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