"D.A.M.A" a quem doer...
O futebol e o amor clubístico tem destas coisas, mas confesso que não esperava ver certos comportamentos e atitudes de certos clubes, quando comparo a noticia de hoje sobre o cancelamento de uma banda que ia actuar na apresentação do FCP, e um relato do apresentador Fernando Alvim, quando era "speaker" do mesmo clube. Acho que estamos a regredir, mas deixo espaço para tirarem as vossas próprias conclusões.
O grupo português "D.A.M.A." constava no programa da apresentação do FCP aos seus sócios e adeptos, no jogo contra o Celta de Vigo. Até aqui tudo bem, apesar de não seguir o grupo, nem ser o meu estilo, compreendo que é uma banda que atrai muito publico, e que apenas iria enriquecer a noite aos portistas e fãs da musica dos "D.A.M.A.". Boa jogada de marketing por parte dos responsáveis azuis e brancos. (qualque jogo que meta equipas da Corunha, eu dispenso)
Mas nos últimos dias, as redes sociais (quem mais?!) começaram a publicar várias manifestações de desagrado e censura aos "D.A.M.A.", por terem sido convidados para a apresentação, mas contarem com 2 elementos que são benfiquistas assumidos. Para além de serem do Benfica, ainda tiveram o desplante de publicar nas suas páginas pessoais fotografias com adereços do Benfica, pasme-se, camisolas!
Ora bem, como estamos no defeso, não temos bola, e muitos adeptos andam entretidos com "fait-divers", achei normal esta reacção, as redes sociais têm esta capacidade de potenciar tudo o que temos de bom ou de mau, e neste caso, seria mais um chorrilho de "hate" que podíamos ignorar. Mas o mais estranho desta situação, é que hoje o grupo "D.A.M.A." já não aparece no programa da festa, e vários meios de comunicação estão a avançar com a noticia que a actuação foi cancelada, e devido à critica activa dos adeptos portistas.
Hoje, por coincidência, a página web www.relato.pt (que é óptima, passe a publicidade) publica uma pequena crónica do apresentador Fernando Alvim, benfiquista assumido, há 20 anos atrás, quando trabalhava como speaker no...Estádio das Antas. Além de ser um óptimo profissional, como podem ler na página, não refere ter sido despedido por ser benfiquista, ou mesmo não ter sido contratado por esse motivo.
Aproveito para deixar aqui o link da crónica do Fernando Alvim, recomendo, está muito gira!
http://www.relato.pt/fernando-alvim/
Todos nós somos profissionais, e todos nós temos o nosso clube de eleição. Não podemos é misturar os sentimentos, e prejudicar quem precisa de trabalhar. Até podem ter sido os "D.A.M.A." a cancelar o espectáculo (não existe mais informação sobre isso), mas se foi o FCP que cancelou pelo alegado motivo de os membros serem benfiquistas, abre um precedente grave, e quando toda a comunicação social fala de descriminação (por causa do Dr. Gentil Martins, sobre o Cristiano Ronaldo, ou por causa das afirmações de André Ventura sobre a etnia cigana, ambas lamentáveis), o departamento de marketing do FCP podia ter agido de forma bem mais discreta.
Comparando um caso com 20 anos, e a actualidade, penso que estamos a regredir na capacidade de respeitar e trabalhar com adeptos de clubes diferentes...e se nem no futebol conseguimos separar as coisas, como querem que o povo português consiga ser elevado em questões como a homofobia ou a xenofobia?
Como diria o diácono Remédios, "não havia necessidade"..."qualquer dia, estão a despedir o tratador de relva por ter um tio sportinguista, ou o vendedor de cachorros, por ser primo afastado do bruxo do Benfica"..."não havia necessidade"...
Isto é o resultado do fanatismo e do discurso incendiário de alguns responsáveis dos clubes que se propaga aos adeptos. O futebol qualquer dia acaba, emplastado de ódio. E se podemos viver sem ele? Claro que sim.
ResponderEliminarPergunto-me se, num cenario hipotético em que o futebol deixasse simplesmente de existir, a sociedade portuguesa subsistiria sem a sua "essência"....
EliminarO que pensar, o que dizer, de uma sociedade que vive do e para o futebol?
O presente episódio, a ser verdade, o que não me causaria estranhesa, é lamentável. Vivemos uns tempos de completa anormalidade. E nos meus quase 50 anos começo s utilizar imensas vezes diárias s palavra lamentável. Isto é andar pata trás. As pessoas ainda não se aperceberam muito bem no que isto pode acabar: liberdade controladissima. Esta ânsia de comentar e criticar tudo e todos, muitas das vezes, sem ler ou ouvir o texto ou a reportagem, única e simplesmente para demonstrar que se está atento ao acontecimento não vai ter um final feliz. As pessoas quando se aperceberem onde esta atitude levou vão ficar pasmadas como foi possível.
ResponderEliminarComentando o caso propriamente dito. O FCPorto já teve treinadores e jogadores benfiqiistas (e concerteza de outros clubes) que inclusivamente foram campeões nacionais. E não foi por isso que os adeptos se insurgiram contra a escolha por parte da direção do clube.
E como é que a direção do clube foi nessa "conversa"? O grupo de adeptos que se manifestou representa os mais de 100.000 sócios, já para não falar de simpatizantes, do clube? Não me parece. A direção é que não esteve à altura da situação criada.
E os rapazes apenas iam cantar! Imaginem se fossem apresentados como reforços 😊
Meus caros comentadores, terá sido por tudo quanto deixam dito que o pinto foi mandado pelas escadas abaixo? Em consequência do qual foi internado no hospital? E que, para se evitar que o mandem de novo pelas escadas abaixo lá em casa, o pinto decidiu passar a fazer as reuniões do fcp no hospital, tal como veio no jornal? Penso eu de que...
EliminarNão concordo com a perspetiva. O futebol vive de emoções e o dono do clube é o adepto que paga as quotas. Se o adepto não quer, o clube tem é de respeitar a vontade de que o sustenta. Além disso, não estamos a falar propriamente de "alguém que precisa de trabalhar" como é referido. Estamos a falar de um espetáculo em que a parte emocional conta quase 99% e a racionalidade 1%. Não estamos a falar de uma profissão técnica, onde prevalece a competência, mas sim de entretenimento emocional e de modas.
ResponderEliminarAgora concordo num ponto: não havia necessidade de convidar e depois desconvidar. Tanta afficionado no marketing e depois comete-se estes erros de casting.
Há muitos e bons músicos/bandas Nacionais, cujos seus elementos são adeptos do FC PORTO, e que até publicam fotos com os adereços do FC PORTO, não havia necessidade do FC PORTO contratar alguém vermelho, e dessa forma não se dava trunfos para estes benfas virem deitar faladura. Já agora só mais um pormaior, o jogo de apresentação do plantel do FC PORTO é com o Desportivo da Corunha, e não com o Celta de Vigo, sei que os 7-1 ainda vos provoca azia, mas um pouquinho de trabalho de casa só vos fazia bem, mas compreendo que o desejo de deitar abaixo o FC PORTO, nem vos dá tempo sequer, para lerem o que escrevem. Passem bem, ou não ;)
ResponderEliminarMuito bom... excelente... nada melhor do que andar acordado... RIGOR !!!
EliminarRealmente não se devia misturar a esfera pessoal com a profissional mas infelizmente cada vez mais isso acontece!
ResponderEliminarÉ preciso esticar bastante a corda para saltar deste "caso" para a xenofobia. Ainda mais quando nem se fez trabalho de casa (Celta de Vigo...?).
ResponderEliminarPara todos os efeitos, a apresentação do clube é uma festa do Porto para os seus adeptos. Não é um concerto para o público geral. É uma festa portista, como tal nem faria qualquer sentido um benfiquista ir assistir, quanto mais ter parte activa na mesma.
Isto não é clubismo, é senso comum. O Porto não tem nenhuma obrigação moral de convidar adeptos de outros clubes. A única falha foi não ter percebido logo à partida que os DAMA (para além de artistas muito fraquinhos) são adeptos efusivos do clube rival.
Mea culpa...o jogo é contra o Deportivo da Corunha...my bad...sei que estiquei a corda, mas apenas porque as redes sociais e os blogs têm tb essa capacidade...mas gostei da sua critica!
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